Ainda tenho dificuldade em entender porque precisamos escolher uma profissão aos 16, 17 anos. Hoje isso está começando a mudar, mas na minha geração (nascida na década de 80 e meados de 90), era exigido que soubéssemos o que iríamos fazer da vida ao ingressar na universidade. Isso, claro, para aqueles que como eu, tiveram o privilégio de acessar o ensino superior.
Quando esse momento chegou pra mim, eu era professora de educação infantil. Havia cursado o magistério, que era como se fosse um ensino médio técnico. A escolha foi baseada na possibilidade de encontrar um trabalho mais cedo e ter uns trocados para um pequeno gosto de liberdade (pelo menos era o que eu acreditava, mas na verdade era o que as meninas faziam na minha escola).



Depois de três anos trabalhando com crianças (dos 15 aos 18), eu sabia que sala de aula não era pra mim. Então como eu ia escolher? A única coisa que eu sabia sobre mim era que, além de tímida, odiava matemática. Era um esforço tirar a nota mínima para passar! Agora, quando a tarefa era escrever uma redação ou uma poesia, aí eu fazia de olhos fechados!
As palavras sempre se encaixaram fácil na minha escrita, muito mais do que na fala. A criança tímida tornou-se uma adolescente ainda mais introvertida e envergonhada. Minha voz era quase inaudível, meu olhar, baixo. Mas no papel, a comunicação fluía de forma natural. Eu acreditava tanto na qualidade dos meus textos que até encontrava voz pra subir ao palco uma vez por ano e ganhar premiações no concurso de poesia da escola.


Voltando à escolha da profissão: eu sabia que gostava de escrever e tinha talento com o tal português. Não existia uma faculdade de “escritor”, e letras eu não queria fazer, afinal o magistério era um caminho quase natural para o curso. Depois de analisar as alternativas oferecidas nas universidades, decidi que jornalismo parecia legal, afinal eu ia escrever bastante!
Imaginava que poderia trabalhar em um jornal e poderia escrever. Não fazia ideia de que era preciso ser antenada e saber o que rolava no mundo. Ainda na faculdade, os amigos sempre brincavam que eu era uma estudante de jornalismo muito desinformada, estava sempre por fora das notícias. Mas meus textos eram sempre impecáveis!
E foi por isso que eu virei jornalista: para escrever. Acreditava que era a única coisa em que eu era boa. Tímida, também tinha baixa autoestima e jamais imaginei, aos 18 anos, que iria me tornar repórter de televisão – mas esse é assunto para um outro post.
E você? Está na mesma profissão que escolheu na adolescência? Mudou? Como foi sua escolha? Você ainda para para pensar nisso? Conta aí… E se caso não lembre, eu sugiro vasculhar a memória e trazer esses lampejos de talentos e gostos. Foi em parte, por causa dessas lembranças, que decidi começar esse site!

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